
Não sei por que o homem tem tanta necessidade de parecer o que não é. Tanta necessidade de buscar com todas as forças parecer diferente do que a vida lhe fez tornar. Quando novos, mentimos diminuindo a idade, pra tentar saciar a vontade infantil de crescer. Quando velhos mentimos novamente na tentativa de sermos mais crianças, o desejo mais maduro que existe. Mentimos quanto a nossa altura, quanto ao peso e também em tudo que nos for conveniente, agradável ou até mesmo só pra não perder o costume.
Sei lá... Penso que logo após ter “inventado” a fala o ser humano foi logo tratando de arrumar algum artifício para os questionamentos que surgiram. Olha só a viagem que imaginei pra exemplificar:
Imagina que você é um homem primitivo do tempo em que a língua ainda não servia pra falar (incrível como o ser humano “descobriu” enumeras formas de empregar a língua ¬¬’) e que você comeu as frutas que o seu amigo primitivo comeu. Ciente do ocorrido, seu amigo vem ao seu encontro na intenção de reivindicar (ora, o cara mal sabe falar, quanto mais reivindicar) as frutas usurpadas... Pronto. Essa é a situação. Imagine teu amigo com ódio de você mas sem saber verbalizar a raiva. Deveria ser algo muito parecido com o famoso demônio da Tasmânia, Taz. Bom, você poderia muito bem se fazer de desentendido e ignorar, mas, depois da fala perguntas seriam feitas e respostas teriam que ser dadas. Dessa situação pra chegarmos na mentira que conhecemos hoje não é tão difícil imaginar... “Não, foi porque um macaco gigante apareceu e ele me deu o fogo e não sei o que... E pediu as frutas...” ¬¬’
Nós somos treinados para mentir desde que nascemos. Quando crianças não podemos dizer que não gostamos das comidas que nos oferecem enquanto convidados em um local. Não podemos falar a verdade quando perguntados se gostamos da vovó ou daquele tio mala que nunca nos deixa ver desenho animado. Crescemos e continuamos vendo que é preciso mentir para ser querido, desferindo os mais absurdos adjetivos às pessoas que só tem defeitos e até criaram outras formas de diminuir o ato de mentir: “Não menti, apenas omiti” ou “não estou mentindo, apenas não contei toda a verdade”.
Bom, se você parar bem pra pensar, verá que a opção de aparecer como offline que o MSN e outros mensageiros eletrônicos oferecem são também ferramentas de mentir. Será que mentir já não está tão dentro das rotinas de todos nós? E quer saber o pior? Você nunca tinha parado pra pensar que está mentindo enquanto lê esse texto e está com status de ausente ou offline e que conta a maior e pior das mentiras da internet: A lenda de que está estudando com MSN aberto...