quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Quando eu for grande.



Desde que tomei conhecimento de que o mundo é redondo, que Fanta laranja não contem vitamina C e que os duendes não guardam ouro no final do arco-íris (todo mundo sabe que eles têm uma contam no Itaú), não tenho lembrança de sonhar em ter determinada profissão. “O que você quer ser quando crescer?”. Quando ouvia isso geralmente ficava calado, mas, em meu coração passava aquele forte desejo: ser degustador profissional. Para uma criança que gostava muito de comer (por isso eu sou “carnudo” ¬¬’ ) não havia emprego melhor do que passar o dia comendo, se deliciando com as mais saborosas receitas. É engraçado que as crianças e também algumas pessoas que se acham adultas, não conseguem, talvez por falta de visão de mundo, identificar as possíveis complicações que sua profissão dos sonhos pode trazer. Eu, por exemplo não podia imaginar de ter que experimentar receitas que não deram certo. Muito salgadas ou muito doces. Imagine só passar o dia tendo que comer apenas uma coisa, ao ponto de ficar completamente cheio que nem consegue fazer outra refeição. Sem contar que você, muito provavelmente seria um gordinho hipertenso e diabético.

Antigamente as crianças sonhavam em ser professores, bombeiros, veterinários ou quem sabe jogadores de futebol. Minha mãe mesmo, (nunca tinha falado nela, chama Rosa) é um exemplo de criança do passado, sonhava em ser professora e conseguiu (a julgar pelo valor que o professor recebe no Brasil, penso que seria menos frustrante se ela não tivesse conseguido). Hoje é raro ver uma criança falar algo desse tipo. As crianças de hoje estão mais espertas, desde muito novas já sabem o que querem ou, pelo menos, cogitam melhor as possibilidades. Acho que se fosse realizada uma pesquisa por todo Brasil em que fosse feita a argüição: “o que você quer ser quando crescer?”, creio que no resultado apareceriam algumas profissões modernas que praticamente só oferecem benefícios. Muitas meninas responderiam que gostariam de pousar nuas ou ser BBB. Muitos meninos diriam que gostariam de ser BBB ou político. As crianças de hoje só querem saber de curtir. Lembro-me do tempo sofrido em que eu dava aulas particulares (outro dia conto algumas situações engraçadas), do dia em que estava dando um “sermão” em um aluno que estava dando muito trabalho. Estava comentando que ele tinha que estudar, que essa seria a forma de garantir um bom futuro. No auge dos seus 10 anos ele me falou: “Que nada, professor, a gente tem é que raparigar, curtir a vida.” ¬¬’.

Sei que muito da resposta do meu aluno foi influenciada por seus irmãos mais velhos que lhe deram um ótimo exemplo de como era possível namorar mais de uma menina por vez, farrear muito, entre outras coisas, mas, essas idéias estão cada vez mais impregnadas na cabeça das “crianças” (que de crianças não lhes resta muita coisa). Basta ligar a TV e ver em qualquer novela, tem sempre um cara que trai sua esposa ou é traído por esta ou os dois... Alguém que vive com outra pessoa apenas pela condição financeira que ela tem... Enfim, só não vemos exemplos positivos. Hoje só se corre atrás de dinheiro, grana e de mais dinheiro pois, até amigos e amor se encontram a venda. A verdade é que os valores da nossa sociedade estão cada vez mais inflacionados e o futuro não é mais como era antigamente.



Possível resultado da pesquisa com as crianças de hoje:

Meninas:
3° lugar: Mulher de jogador de futebol.
Motivo: Enquanto o marido ta na concentração com o time, você se concentra em gastar todo o dinheiro dele.
2° lugar: Gostosa.
Motivo: Isso é suficiente, hoje em dia, pra conseguir um bom casamento (entenda-se por bom casamento, estritamente, casar-se com um homem que tenha muito dinheiro).
1° lugar: Vencedora do BBB.
Motivo: passar três meses numa festa com a possibilidade de se tornar milionário e a certeza de pousar para a Playboy.

Meninos:
3° lugar: Empresário de jogador de futebol.
Motivo: ganha mais do que os jogadores e não tem que dar satisfação ao técnico.
2° lugar: Político.
Motivo: Ganha muito (e dá a chance de roubar mais), além de não ser preciso estudo ou qualquer tipo de preparo.
1° BBB.
Motivo: possibilidade de ficar milionário e a certeza de que sempre terá alguma menina bêbada a fim de ficar com você numa balada é mais que suficiente para as “crianças” serem felizes.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais do mesmo.


“Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo.
Não era isso que você queria ouvir?”

Este é um trecho da música “Mais do mesmo” da banda Legião Urbana (que dispensa comentários ou apresentações). Pois é, “sempre mais do mesmo”, e isso muito me incomoda. Nesses últimos dias a enxurrada de matérias repetitivas, cansativas e que você viu 12 minutos atrás em outro canal despertou em mim a ira que estava tirando um cochilo leve após o recesso de fim de ano. É engraçado que num mundo com mais de 6,48 bilhões de habitantes só seja possível tratar de um assunto por vez. É lamentável a forma como os telespectadores são obrigados a ver as mesmas notícias e mais lamentável que pouquíssimos sejam os que atentaram para isso. Para evitar ser injusto, generalizar sem saber, fui até as páginas dos principais jornais do mundo. O resultado foi uma vitória avassaladora da monotonia temática: todos os gigantes consultados exibiam reportagens sobre o mesmo assunto. Sei que o desastre do Haiti precisa de atenção, não se trata de falta de sensibilidade, não se trata de querer mascarar a realidade ou fugir da mesma, apenas acho que tenho direito de saber sobre o que mais acontece no mundo.

A já tão sofrível grade de programação aberta do Brasil torna-se ainda mais insuportável pela exaustiva forma como se abordam os temas. Lembro-me que as CPIs estavam em alta. Eram horas de depoimentos, só se falava em corrupção, mensalão e Roberto Jefferson era a personagem da vez. Não se ousava tratar de outro assunto, a disputa entre as emissoras era pra ver quem conseguia fazer as maiores e mais detalhadas matérias (como se houvesse alguém que não soubesse (lembrar que saber é bem diferente de entender) do ocorrido). Aí houve aquele acidente aéreo aqui no Brasil e a conhecida crise na aviação. Pronto. Os repórteres não saíam mais dos aeroportos e por falta do que fazer, qualquer atrasozinho de uma hora já era motivo para entrarem ao vivo e fazer aquele alvoroço (como se alguma coisa fosse pontual em nosso país). Veio o caso do menino João hélio. Que perdeu a vida após ser arrastado por vários quilômetros quando o carro de sua mãe foi roubado. E esse foi o assunto que rendeu por semanas. Discussões sobre redução da maioridade, bla bla bla. Aí jogaram Isabela Nardoni pela janela. A mídia e a população esqueceu todo resto e se voltou para este caso. Daí começou uma verdadeira onda de crianças sendo jogadas por janelas, parecia a febre do “Bungee Jump” sem corda. Mais uma vez quero deixar claro que não se trata de pensar que só passa coisa ruim, que a mídia corre atrás de desgraça ou que eu tenha medo de encarar a realidade. É que enquanto um assunto (um assunto não, O assunto, já que só se fala em um por vez) está rodando, nada mais acontece. Não tem mais assaltos, nem atentados terroristas, corrupção... Só pode exibir matérias que tenham alguma ligação com o ocorrido. Foi assim com a morte de Michael Jackson, a posse de Obama e tantas outras coisas. Hoje mesmo assisti a duas reportagens quase iguais, embora de canais diferentes, sobre o envio de um PM e um cão farejador, ambos de natal, até o Haiti. Quando mudo de canal lá está a mesma coisa passando em uma terceira emissora.

E ainda se fala em ‘jornalismo com imparcialidade’. Imparcialidade uma ova. Imparcialidade significa o que? Que você pode escolher o canal, o repórter e o horário que vai receber as mesmas informações sobre os mesmos assuntos? O pior de tudo é a população, anestesiada, continua assistindo e fazendo o papel de platéia boazinha. Rindo na hora que se deve rir, chorando na hora que se deve chorar, assistindo a toda hora o que eu já cansei de assistir. Será que só eu vejo isso? Que nada, todo mundo vê. Não tem como não vê depois de uma repetição exaustiva. É um massacre à diversidade, à mentalidade e à formação de opinião.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nada pra por na parede.


Hoje foi um dia importante para minha turma do CEFET. Após quatro anos de batalha, preocupações, aperreios e desesperos mas também quatro anos de muitas resenhas, cachorradas e muita alegria. Talvez algum espertinho tenha pensado: ‘’só pra turma?’’. Exatamente isso. Fico feliz e tal por ter concluído, ter terminado com as obrigações do ensino médio que no meu caso vieram acompanhadas das loucuras do ensino técnico, mas de certa forma me decepcionei com a área.

Eu poderia dar uma de ético e não mencionar a área, mas, aí não teria graça, eu estaria tentando fugir do meu instinto ruim e não poderia ser bem específico. Quando algum professor ou outro funcionário da escola perguntava na minha sala quem pretendia seguir na área a cena seguinte era bastante constrangedora: meia dúzia de mãos levantadas e um coro ensurdecedor: “Deus me livre e guarde”. Pra tentar dar uma disfarçada na situação quase sempre se ouvia:”mas se vocês não gostam da área de informática porque a escolheram?”. Isso era suficiente, pelo menos nos primeiros anos, para que, de certa forma, perdêssemos aquele confronto verbal, mas, certo dia um atrevido da turma ergue a voz e expõe a mais pura, simples e clara verdade: ‘’quando nós escolhemos o curso que iríamos fazer tínhamos apenas 14 anos’’. Só mesmo a ingenuidade de uma criança para imaginar uma carreira promissora na área da informação aqui em Mossoró. O mercado daqui ainda carece das profissões mais básicas, enfim, não estou muito afim de fornecer dados técnicos sobre isso, aqui é um momento de me descontrair e talvez, a algum perturbado que leia minhas loucuras. Nem lembro bem o que é que passava na minha mentezinha de 14 anos. No fundo acho que queria me tornar um hacker e vencer uma dessas competições americanas de “invada o sistema e ganhe milhões”. Eu sou muito bom em estratégias. Agora lembrei de um dia em que bolei um plano pra vencer uma partida de futsal. Era mais ou menos assim: ‘’alguém do time pegue a bola, drible todos os adversários e faça o gol’’... Acho que nessa minha mente fértil era cultivada alguma profissão inovadora como ‘’personal orkuter’’, ‘’personal twitter’’ ou ‘’personal msner’’(isso ou eu tinha em mente que tomar conta de uma lan house era o trabalho dos meus sonhos).

Informática é uma área legal, creio que meu repúdio tenha surgido de péssimos professores que tivemos no começo do curso e alguns também no final que, por alguns meses, sujaram o quadro de funcionários do CEFET. Pois é. Nesse momento alguns de meus amigos estão recebendo diplomas, vestindo uma beca preta e fedorenta a mofo cujo aluguel custa R$25. E eu estou aqui escrevendo isso e não estou nenhum pouco arrependido. Creio que possa receber o diploma normalmente, mas, se não puder, não me fará muita diferença. O mais importante nunca tirarão de mim, as amizades, as boas lembranças e muito conhecimento de mundo. Quero deixar aqui um sincero agradecimento a todos que participaram desses quatro anos especiais, os melhores da minha vida, até então. Espero que alguns elos formados lá perdurem por muitos e muitos anos. A depender da burocracia, pode ser que não ganhe nada pra pendurar numa parede ou guardar naquela gaveta mais desarrumada, mas com certeza terei algo guardado ‘aqui’ e ‘aqui’...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ano novo x Novo ano.


É, depois dos fogos e das festas, dos cumprimentos e abraços, da luta com o sono e posteriormente sua derrota, você bota a cabeça num travesseiro e para pra pensar na vida. Na noite final do ano ou mesmo nas anteriores é comum que surjam sempre lembranças dos acontecimentos que mais marcaram o ano. Agora que me toquei que deveria ter preparado alguma retrospectiva do ano. Sei que não teria tanta credibilidade, mas, seria bastante engraçado. Voltando ao assunto de pensar no que se fez (ou deixou-se de fazer) durante o ano que chega ao fim, vem a mente uma sensação de plena certeza que os erros até ali cometidos ficarão apenas na memória, pois não tornará a cometê-los.

Já deixando passar o passado e tentando usar nossa máquina do tempo (nossa mente, depois eu explico), começamos a imaginar como será este novo ano que se abre. São mais 365 páginas de um livro em branco que você terá que escrever, embora se preencha mesmo sem que você necessariamente queira. Mas... Como obter realmente um ano novo? É complicado se você partir da idéia de que você fará, provavelmente, as mesmas coisas, verá, provavelmente, as mesmas pessoas...
Isso me lembra algo curioso, a diferença entre carro novo e novo carro. Carro novo se refere a um carro que ainda não foi usado por ninguém, um zero Km. Existe uma explicação gramatical insana (que só faz sentido na minha cabeça). Já novo carro, refere-se a um carro que é novo para alguém, um referencial. Mesmo que se tenha comprado um carro do ano “mil novecentos e fusca”, você ainda pode abrir a boca e dizer que comprou um carro novo, pois de fato é um carro diferente (que fique claro que é exatamente isso ou seu perfeito oposto).

Em todo caso, só queria mesmo deixar claro que tudo vai continuar igual. A violência, a desigualdade, a corrupção e tudo que de pior existe. Até porque você não é capaz de mudar o mundo. Mas como diz aquela velha conversa já tão batida: na impossibilidade de mudar o mundo, mude-se. Visite aquele amigo que já não vê a tempos, compre o cd daquela banda que você tanto curtia, deixe de lado essas coisas de trabalho e estudos e passe uma tarde sem fazer nada... Sei lá, é isso que espero desse ano, passar mais tempo com as pessoas de que gosto. Já me privei tanto de bons momentos em nome de um futuro que nunca chega. O futuro não existe e o passado não importa, aproveite o ‘’presente’’ que se chama hoje. Estes são meus sinceros votos de feliz novo ano, porque de ano novo eu já estou cheio...