sábado, 13 de novembro de 2010

Na terra quente



Essa semana dei uma passadinha na casa da minha avó num raro momento em que eu estava atarefado em níveis inferiores a 80%. Enquanto conversava com minhas tias e resolvia umas questões sobre Estabilidade (ei, você acha que é só você que pode se mostrar postando aquelas fotos que tirou na Disney? Cada um tenta passar o que vê de melhor em si mesmo. Se você tem orgulho do Mickey eu posso me orgulhar do que eu quiser, inclusive de estudar, ora!) o pessoal resolveu ir comer pastel numa lanchonete que tem lá pertinho. Essa lanchonete cujo nome não vou citar por princípios éticos (que nada, é por não estar recebendo nada pra isso) fica exatamente em frente à casa de um cara que já foi um dos meus melhores amigos, mas que hoje mal nos falamos. Como minha tia é amiga dele, quando chegamos lá ele se juntou ao pessoal da minha família e fomos lá lanchar.

Em minha homenagem, minha tia pediu um pastel satânico pra ela (rsrsrsrs). Calma, eu explico. Nem eu nem meus pais comemos carne de porco aí o pessoal da minha família “tira onda” dizendo que porco e tudo que tem porco é uma COMIDA SATÂNICA (o povo da minha família é cheio dessas cachorradas, quem os conhece entende porque sou do jeito que sou)! Portando, o pastel satânico era um simples pastel com frango e bacon, ta? Não precisa tapar os olhos de ninguém. Só pra citar mesmo o meu foi de frango, mas vou parar de falar em comida antes que alguém me chame de gordo e além do mais vai ficar parecendo o programa da Ana Maria Braga.

Enfim, voltando ao que estava tentando falar, enquanto comíamos pastel fui notando o quanto aquela rua estava mudada, já havia morado ali perto há uns... Sei lá, talvez 6, 7 anos, não sou bom com datas. Realmente a diferença era considerável, tanto no lugar quanto nas pessoas. Eu e meu, agora colega, quase não trocávamos as primeiras palavras que tinham, obrigatoriamente, que ser sobre outro amigo (cara que até hoje considero muito), o que completava o trio que por cerca de três anos era inseparável. Fiquei um pouco triste pela forma fria que ele falou do nosso amigo, triste por constatar que por mais importante que uma pessoa porra ser para outra, pode ser que um dia ela venha a significar nada.

Enquanto conversávamos via algumas pessoas conhecidas passando ali. Constatando que nem tudo que parece é, mas, esse “nem tudo” significa que uma fração reduzida que poderia ser aproximada matematicamente, sem prejuízos, para 11%, deixando o enunciado com o seguinte corpo: 11% do que parece na verdade não é, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, quando a amostra estudada tiver mais que 38 elementos. É, agora ficou melhor. Continuando, pude observar que os 89% do que parecia, de fato era, ou servia de indício do que se tornaria. O carinha de família rica virou o “playboy” que não faz nada da vida, a velha fofoqueira da rua mudou-se por causa de briga com os vizinhos, a menina bonitinha que só ficava com meninos ricos casou-se com um coroa cheio da grana. O menininho delicado tomou jeito de homem e virou pegador, podendo ser incluso nos 11% que parecia mas não era!

Aí fomos lembrando-se do tempo em que, muito diferente do que ocorre hoje, não tínhamos nada para fazer a não ser sair por ai fazendo cachorrada, rebolando pedra na casa dos vizinhos, tocando campainha e correndo... Ah, bons tempos! Está certo que eu joguei muito Nintendo nas locadoras (no tempo em que uma hora custava 50 centavos) e ainda continuo jogando Play II, mas acho que em geral as crianças de hoje raramente sabem como era num passado não tão distante a arte de ser criança.

Imagino-me agora contando para meus netos o que eu fazia nos meus tempos de criança...

- Existia um brinquedo de madeira que a gente colocava pra rodar com uma cordinha.

- É parecido com o ipod, vovô? É feito de borracha ou plástico?

- Não, é simplesmente de madeira mesmo, com uma ponta de ferro.

- Ah, já vi, é um que emite uma projeção de um dragão enquanto gira, né?

- Não, ele apenas gira mesmo.

- Mas ele tem uma entrada USB ou dá acesso às redes sociais?

- Não, meu querido, era só pra vê-lo girando...

Momento de reflexão...

Sei lá, acho que peguei pesado, Vídeo Game e essas tecnologias podem ser benéficas se a pessoa souber apreciar com moderação (eu particularmente não sei), mas é que nunca mais vi ninguém jogando mirim, brincando de polícia e ladrão, cai no poço (safadinho), esconde-esconde, queimada, amarelinha e essas coisas... Ao invés disso passam o dia vendo coisas sobre seus ídolos adolescentes idiotas, navegando na internet e postando besteira no twitter...

Pobres crianças de hoje, nunca provaram o prazer de brincar de “tica”, de levar uma carreira de um cachorro, dar milho pra uma galinha. Nunca ouviram a mãe gritar: Menino, saia dessa terra quente!

Pobres crianças do futuro, PlayStation e Nintendo Wii serão coisas do passado, bichos só serão vistos nos zoológicos digitais, seus amigos serão netos evoluídos dos tamaguchis que conhecemos, vão nos chamar de pré-históricos por nos contentar com jogos em 2D, mas também vão nos idolatrar por termos sobrevivido a esses “tempos difíceis”. Definitivamente o futuro não é mais como era antigamente...

Terminamos de comer os pastéis, pagamos e fomos para casa...

sábado, 12 de junho de 2010

Apenas um texto desconsiderável.




Sei que a única pessoa que sente falta desse blog sou eu...
Serve pra eu organizar as idéias, manter nem que sejam por alguns instantes um fluxo ordenado de pensamento nessa minha cabeça muito aglomerada.

Depois que essa faculdade recomeçou meu tempo ficou curto demais.
Mas se por um acaso, existir alguém que leia, ou que já leu isso, minhas desculpas.

Não é querendo fazer tipinho, dar uma de cansado (heuahueh eu conheço muita gente que faz isso), mas não tenho tido muito tempo pra ficar na internet e, quando tenho, são apenas para saciar as necessidades básicas (Orkut e MSN, vê se pode).

Mas confesso que também tenho andado meio sem inspiração para escrever. Acho que não é nem tanto por aí, mas é que dizer que não está inspirado é uma das desculpas mais elegantes que já vi nos falatórios humanos e eu sempre quis usá-la. Na verdade o que se passa é que de certa forma me parece que escrever sobre a vida e vive-la são coisas tão antagônicas quanto o dia e a noite, inclusive na sua fase de transição, que acaba não sendo nem um, nem outro.

Nas férias, por falta de efetivamente está vivendo (que na minha cabeça industrializada acaba significando a correria do dia a dia) podemos pensar melhor no que fazíamos ou faremos e não no que estamos fazendo, essa é a diferença mais importante, para mim. O que acaba me levando a pensar que não considero por vida aqueles meses vadios que passo em casa dentro de uma rede vendo TV e lançando minhas tolices na internet é o costume de estar geralmente sobrecarregado...

Agora que reparei que desvirtuei completamente daquilo que pretendia escrever... euhauheuahe, assim como Bonfá e Russo queriam escrever sobre a TV e acabaram compondo “teatro dos Vampiros”... Se bem que nem lembro sobre o que estava escrevendo, mas, vou assistir algum jogo da Copa e deixar de lado essa onda de escrever, talvez nas férias eu volte a por rédias na minha mente e volte a escrever sobre um assunto só...

Heuahuehauheuahuehau, sim, pra não tornar totalmente inútil sua vinda até aqui(e provar que não to conseguindo escrever sobre uma coisa só):

“Você sabia que Nerds não assistem filmes pornô? É verdade. Eles assistem TUTORIAIS sobre como fabricar um bebê!!!”
Agora eu baixei o nível.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Offline...


Não sei por que o homem tem tanta necessidade de parecer o que não é. Tanta necessidade de buscar com todas as forças parecer diferente do que a vida lhe fez tornar. Quando novos, mentimos diminuindo a idade, pra tentar saciar a vontade infantil de crescer. Quando velhos mentimos novamente na tentativa de sermos mais crianças, o desejo mais maduro que existe. Mentimos quanto a nossa altura, quanto ao peso e também em tudo que nos for conveniente, agradável ou até mesmo só pra não perder o costume.

Sei lá... Penso que logo após ter “inventado” a fala o ser humano foi logo tratando de arrumar algum artifício para os questionamentos que surgiram. Olha só a viagem que imaginei pra exemplificar:

Imagina que você é um homem primitivo do tempo em que a língua ainda não servia pra falar (incrível como o ser humano “descobriu” enumeras formas de empregar a língua ¬¬’) e que você comeu as frutas que o seu amigo primitivo comeu. Ciente do ocorrido, seu amigo vem ao seu encontro na intenção de reivindicar (ora, o cara mal sabe falar, quanto mais reivindicar) as frutas usurpadas... Pronto. Essa é a situação. Imagine teu amigo com ódio de você mas sem saber verbalizar a raiva. Deveria ser algo muito parecido com o famoso demônio da Tasmânia, Taz. Bom, você poderia muito bem se fazer de desentendido e ignorar, mas, depois da fala perguntas seriam feitas e respostas teriam que ser dadas. Dessa situação pra chegarmos na mentira que conhecemos hoje não é tão difícil imaginar... “Não, foi porque um macaco gigante apareceu e ele me deu o fogo e não sei o que... E pediu as frutas...” ¬¬’

Nós somos treinados para mentir desde que nascemos. Quando crianças não podemos dizer que não gostamos das comidas que nos oferecem enquanto convidados em um local. Não podemos falar a verdade quando perguntados se gostamos da vovó ou daquele tio mala que nunca nos deixa ver desenho animado. Crescemos e continuamos vendo que é preciso mentir para ser querido, desferindo os mais absurdos adjetivos às pessoas que só tem defeitos e até criaram outras formas de diminuir o ato de mentir: “Não menti, apenas omiti” ou “não estou mentindo, apenas não contei toda a verdade”.

Bom, se você parar bem pra pensar, verá que a opção de aparecer como offline que o MSN e outros mensageiros eletrônicos oferecem são também ferramentas de mentir. Será que mentir já não está tão dentro das rotinas de todos nós? E quer saber o pior? Você nunca tinha parado pra pensar que está mentindo enquanto lê esse texto e está com status de ausente ou offline e que conta a maior e pior das mentiras da internet: A lenda de que está estudando com MSN aberto...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O começo do fim.

Eu sei que ta bem fora de moda falar em terrorismo (vide “mais do mesmo”) mas estava um dia, como todos, jogando conversa fora comigo mesmo e lembrando que não faz muito tempo, ouvi dizer que um primo do Osama Bin-Laden residia aqui em Mossoró, mais precisamente no bairro Abolição IV (vai saber porque escolheu esse bairro). Aí minha mente estalou e lembrei que não sabia exatamente porque os Estados Unidos tinham essa sede de caça aos terroristas e porque os tais terroristas praticavam os atentados.

Como se formou: (ta resumido, vale a pena ler)
Al Qaeda, que significa “A Base”, é uma organização internacional fundamentalista islâmica que tem por objetivo reduzir as influencias não islâmicas no meio islâmico. Quando a União soviética invadiu o Afeganistão os Estados Unidos ajudaram a criar e fortalecer uma força regional para combater os invasores soviéticos. A frente dessa organização estava Bin-Laden, que é de uma família bem rica da Arábia Saudita (uma espécie de Rosados do Oriente Médio). A princípio a Al Qaeda tinha como objetivo derrubar a família real saudita que era muito ocidentalizada e pouco islâmica. Só que as segundas intenções americanas, sempre querendo difundir de forma massiva sua “cultura” não agradavam a Bin-Laden e há tantos outros que vêem suas tradições sendo jogadas no lixo.

Imagine a situação: você está na sua casa cuidando de um primo pequeno. Subitamente um cara vindo de outro bairro, outra cidade, invade a sua casa alegando que você não tem capacidade de cuidar do seu primo e que pode haver uma mamadeira envenenada. Aí eles inicialmente matam seu cachorro, afirmando que ele representa uma ameaça, trancam seu primo num quartinho. Rapidamente eles acabam com boa parte da comida e da água da casa. O que lhe resta? Começar a se comportar de forma ofensiva afim de que os visitantes se retirem. Sei que o exemplo é sem muita lógica, mas, igualmente sem lógica são essas invasões americanas no Oriente Médio.

Existe as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – bem mais próximo da América, na Espanha tem o movimento separatista ETA. Não moveu uma palha contra o Exército Republicano Irlandês e nem enxerga que dentro de seus territórios existe a Ku Klux Klan. Só se interessam em “apaziguar” no oriente? Os povos de lá são atrasados? O fato de lá ter muito petróleo é mera coincidência?

Uma vez ouvi dizer que as vezes é necessário uma grande guerra para que cessasse todo derramamento de sangue, uma espécie de teoria de unificação. Será que o preço de um sangue paga o de outro? Essa idéia se torna tentadora pelo fato de prometer a paz absoluta, que como tudo que é bom, tem alto preço. Mas também ouvi que não existe nenhuma guerra boa e nenhuma paz ruim. Sei que é preciso ter tolerância e respeito e isso o homem não tem tido. Agora talvez tenha ficado claro quem são os terroristas desse mundo assustador e que os exterminadores do futuro somos quase todos nós.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Quando eu for grande.



Desde que tomei conhecimento de que o mundo é redondo, que Fanta laranja não contem vitamina C e que os duendes não guardam ouro no final do arco-íris (todo mundo sabe que eles têm uma contam no Itaú), não tenho lembrança de sonhar em ter determinada profissão. “O que você quer ser quando crescer?”. Quando ouvia isso geralmente ficava calado, mas, em meu coração passava aquele forte desejo: ser degustador profissional. Para uma criança que gostava muito de comer (por isso eu sou “carnudo” ¬¬’ ) não havia emprego melhor do que passar o dia comendo, se deliciando com as mais saborosas receitas. É engraçado que as crianças e também algumas pessoas que se acham adultas, não conseguem, talvez por falta de visão de mundo, identificar as possíveis complicações que sua profissão dos sonhos pode trazer. Eu, por exemplo não podia imaginar de ter que experimentar receitas que não deram certo. Muito salgadas ou muito doces. Imagine só passar o dia tendo que comer apenas uma coisa, ao ponto de ficar completamente cheio que nem consegue fazer outra refeição. Sem contar que você, muito provavelmente seria um gordinho hipertenso e diabético.

Antigamente as crianças sonhavam em ser professores, bombeiros, veterinários ou quem sabe jogadores de futebol. Minha mãe mesmo, (nunca tinha falado nela, chama Rosa) é um exemplo de criança do passado, sonhava em ser professora e conseguiu (a julgar pelo valor que o professor recebe no Brasil, penso que seria menos frustrante se ela não tivesse conseguido). Hoje é raro ver uma criança falar algo desse tipo. As crianças de hoje estão mais espertas, desde muito novas já sabem o que querem ou, pelo menos, cogitam melhor as possibilidades. Acho que se fosse realizada uma pesquisa por todo Brasil em que fosse feita a argüição: “o que você quer ser quando crescer?”, creio que no resultado apareceriam algumas profissões modernas que praticamente só oferecem benefícios. Muitas meninas responderiam que gostariam de pousar nuas ou ser BBB. Muitos meninos diriam que gostariam de ser BBB ou político. As crianças de hoje só querem saber de curtir. Lembro-me do tempo sofrido em que eu dava aulas particulares (outro dia conto algumas situações engraçadas), do dia em que estava dando um “sermão” em um aluno que estava dando muito trabalho. Estava comentando que ele tinha que estudar, que essa seria a forma de garantir um bom futuro. No auge dos seus 10 anos ele me falou: “Que nada, professor, a gente tem é que raparigar, curtir a vida.” ¬¬’.

Sei que muito da resposta do meu aluno foi influenciada por seus irmãos mais velhos que lhe deram um ótimo exemplo de como era possível namorar mais de uma menina por vez, farrear muito, entre outras coisas, mas, essas idéias estão cada vez mais impregnadas na cabeça das “crianças” (que de crianças não lhes resta muita coisa). Basta ligar a TV e ver em qualquer novela, tem sempre um cara que trai sua esposa ou é traído por esta ou os dois... Alguém que vive com outra pessoa apenas pela condição financeira que ela tem... Enfim, só não vemos exemplos positivos. Hoje só se corre atrás de dinheiro, grana e de mais dinheiro pois, até amigos e amor se encontram a venda. A verdade é que os valores da nossa sociedade estão cada vez mais inflacionados e o futuro não é mais como era antigamente.



Possível resultado da pesquisa com as crianças de hoje:

Meninas:
3° lugar: Mulher de jogador de futebol.
Motivo: Enquanto o marido ta na concentração com o time, você se concentra em gastar todo o dinheiro dele.
2° lugar: Gostosa.
Motivo: Isso é suficiente, hoje em dia, pra conseguir um bom casamento (entenda-se por bom casamento, estritamente, casar-se com um homem que tenha muito dinheiro).
1° lugar: Vencedora do BBB.
Motivo: passar três meses numa festa com a possibilidade de se tornar milionário e a certeza de pousar para a Playboy.

Meninos:
3° lugar: Empresário de jogador de futebol.
Motivo: ganha mais do que os jogadores e não tem que dar satisfação ao técnico.
2° lugar: Político.
Motivo: Ganha muito (e dá a chance de roubar mais), além de não ser preciso estudo ou qualquer tipo de preparo.
1° BBB.
Motivo: possibilidade de ficar milionário e a certeza de que sempre terá alguma menina bêbada a fim de ficar com você numa balada é mais que suficiente para as “crianças” serem felizes.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais do mesmo.


“Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo.
Não era isso que você queria ouvir?”

Este é um trecho da música “Mais do mesmo” da banda Legião Urbana (que dispensa comentários ou apresentações). Pois é, “sempre mais do mesmo”, e isso muito me incomoda. Nesses últimos dias a enxurrada de matérias repetitivas, cansativas e que você viu 12 minutos atrás em outro canal despertou em mim a ira que estava tirando um cochilo leve após o recesso de fim de ano. É engraçado que num mundo com mais de 6,48 bilhões de habitantes só seja possível tratar de um assunto por vez. É lamentável a forma como os telespectadores são obrigados a ver as mesmas notícias e mais lamentável que pouquíssimos sejam os que atentaram para isso. Para evitar ser injusto, generalizar sem saber, fui até as páginas dos principais jornais do mundo. O resultado foi uma vitória avassaladora da monotonia temática: todos os gigantes consultados exibiam reportagens sobre o mesmo assunto. Sei que o desastre do Haiti precisa de atenção, não se trata de falta de sensibilidade, não se trata de querer mascarar a realidade ou fugir da mesma, apenas acho que tenho direito de saber sobre o que mais acontece no mundo.

A já tão sofrível grade de programação aberta do Brasil torna-se ainda mais insuportável pela exaustiva forma como se abordam os temas. Lembro-me que as CPIs estavam em alta. Eram horas de depoimentos, só se falava em corrupção, mensalão e Roberto Jefferson era a personagem da vez. Não se ousava tratar de outro assunto, a disputa entre as emissoras era pra ver quem conseguia fazer as maiores e mais detalhadas matérias (como se houvesse alguém que não soubesse (lembrar que saber é bem diferente de entender) do ocorrido). Aí houve aquele acidente aéreo aqui no Brasil e a conhecida crise na aviação. Pronto. Os repórteres não saíam mais dos aeroportos e por falta do que fazer, qualquer atrasozinho de uma hora já era motivo para entrarem ao vivo e fazer aquele alvoroço (como se alguma coisa fosse pontual em nosso país). Veio o caso do menino João hélio. Que perdeu a vida após ser arrastado por vários quilômetros quando o carro de sua mãe foi roubado. E esse foi o assunto que rendeu por semanas. Discussões sobre redução da maioridade, bla bla bla. Aí jogaram Isabela Nardoni pela janela. A mídia e a população esqueceu todo resto e se voltou para este caso. Daí começou uma verdadeira onda de crianças sendo jogadas por janelas, parecia a febre do “Bungee Jump” sem corda. Mais uma vez quero deixar claro que não se trata de pensar que só passa coisa ruim, que a mídia corre atrás de desgraça ou que eu tenha medo de encarar a realidade. É que enquanto um assunto (um assunto não, O assunto, já que só se fala em um por vez) está rodando, nada mais acontece. Não tem mais assaltos, nem atentados terroristas, corrupção... Só pode exibir matérias que tenham alguma ligação com o ocorrido. Foi assim com a morte de Michael Jackson, a posse de Obama e tantas outras coisas. Hoje mesmo assisti a duas reportagens quase iguais, embora de canais diferentes, sobre o envio de um PM e um cão farejador, ambos de natal, até o Haiti. Quando mudo de canal lá está a mesma coisa passando em uma terceira emissora.

E ainda se fala em ‘jornalismo com imparcialidade’. Imparcialidade uma ova. Imparcialidade significa o que? Que você pode escolher o canal, o repórter e o horário que vai receber as mesmas informações sobre os mesmos assuntos? O pior de tudo é a população, anestesiada, continua assistindo e fazendo o papel de platéia boazinha. Rindo na hora que se deve rir, chorando na hora que se deve chorar, assistindo a toda hora o que eu já cansei de assistir. Será que só eu vejo isso? Que nada, todo mundo vê. Não tem como não vê depois de uma repetição exaustiva. É um massacre à diversidade, à mentalidade e à formação de opinião.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nada pra por na parede.


Hoje foi um dia importante para minha turma do CEFET. Após quatro anos de batalha, preocupações, aperreios e desesperos mas também quatro anos de muitas resenhas, cachorradas e muita alegria. Talvez algum espertinho tenha pensado: ‘’só pra turma?’’. Exatamente isso. Fico feliz e tal por ter concluído, ter terminado com as obrigações do ensino médio que no meu caso vieram acompanhadas das loucuras do ensino técnico, mas de certa forma me decepcionei com a área.

Eu poderia dar uma de ético e não mencionar a área, mas, aí não teria graça, eu estaria tentando fugir do meu instinto ruim e não poderia ser bem específico. Quando algum professor ou outro funcionário da escola perguntava na minha sala quem pretendia seguir na área a cena seguinte era bastante constrangedora: meia dúzia de mãos levantadas e um coro ensurdecedor: “Deus me livre e guarde”. Pra tentar dar uma disfarçada na situação quase sempre se ouvia:”mas se vocês não gostam da área de informática porque a escolheram?”. Isso era suficiente, pelo menos nos primeiros anos, para que, de certa forma, perdêssemos aquele confronto verbal, mas, certo dia um atrevido da turma ergue a voz e expõe a mais pura, simples e clara verdade: ‘’quando nós escolhemos o curso que iríamos fazer tínhamos apenas 14 anos’’. Só mesmo a ingenuidade de uma criança para imaginar uma carreira promissora na área da informação aqui em Mossoró. O mercado daqui ainda carece das profissões mais básicas, enfim, não estou muito afim de fornecer dados técnicos sobre isso, aqui é um momento de me descontrair e talvez, a algum perturbado que leia minhas loucuras. Nem lembro bem o que é que passava na minha mentezinha de 14 anos. No fundo acho que queria me tornar um hacker e vencer uma dessas competições americanas de “invada o sistema e ganhe milhões”. Eu sou muito bom em estratégias. Agora lembrei de um dia em que bolei um plano pra vencer uma partida de futsal. Era mais ou menos assim: ‘’alguém do time pegue a bola, drible todos os adversários e faça o gol’’... Acho que nessa minha mente fértil era cultivada alguma profissão inovadora como ‘’personal orkuter’’, ‘’personal twitter’’ ou ‘’personal msner’’(isso ou eu tinha em mente que tomar conta de uma lan house era o trabalho dos meus sonhos).

Informática é uma área legal, creio que meu repúdio tenha surgido de péssimos professores que tivemos no começo do curso e alguns também no final que, por alguns meses, sujaram o quadro de funcionários do CEFET. Pois é. Nesse momento alguns de meus amigos estão recebendo diplomas, vestindo uma beca preta e fedorenta a mofo cujo aluguel custa R$25. E eu estou aqui escrevendo isso e não estou nenhum pouco arrependido. Creio que possa receber o diploma normalmente, mas, se não puder, não me fará muita diferença. O mais importante nunca tirarão de mim, as amizades, as boas lembranças e muito conhecimento de mundo. Quero deixar aqui um sincero agradecimento a todos que participaram desses quatro anos especiais, os melhores da minha vida, até então. Espero que alguns elos formados lá perdurem por muitos e muitos anos. A depender da burocracia, pode ser que não ganhe nada pra pendurar numa parede ou guardar naquela gaveta mais desarrumada, mas com certeza terei algo guardado ‘aqui’ e ‘aqui’...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ano novo x Novo ano.


É, depois dos fogos e das festas, dos cumprimentos e abraços, da luta com o sono e posteriormente sua derrota, você bota a cabeça num travesseiro e para pra pensar na vida. Na noite final do ano ou mesmo nas anteriores é comum que surjam sempre lembranças dos acontecimentos que mais marcaram o ano. Agora que me toquei que deveria ter preparado alguma retrospectiva do ano. Sei que não teria tanta credibilidade, mas, seria bastante engraçado. Voltando ao assunto de pensar no que se fez (ou deixou-se de fazer) durante o ano que chega ao fim, vem a mente uma sensação de plena certeza que os erros até ali cometidos ficarão apenas na memória, pois não tornará a cometê-los.

Já deixando passar o passado e tentando usar nossa máquina do tempo (nossa mente, depois eu explico), começamos a imaginar como será este novo ano que se abre. São mais 365 páginas de um livro em branco que você terá que escrever, embora se preencha mesmo sem que você necessariamente queira. Mas... Como obter realmente um ano novo? É complicado se você partir da idéia de que você fará, provavelmente, as mesmas coisas, verá, provavelmente, as mesmas pessoas...
Isso me lembra algo curioso, a diferença entre carro novo e novo carro. Carro novo se refere a um carro que ainda não foi usado por ninguém, um zero Km. Existe uma explicação gramatical insana (que só faz sentido na minha cabeça). Já novo carro, refere-se a um carro que é novo para alguém, um referencial. Mesmo que se tenha comprado um carro do ano “mil novecentos e fusca”, você ainda pode abrir a boca e dizer que comprou um carro novo, pois de fato é um carro diferente (que fique claro que é exatamente isso ou seu perfeito oposto).

Em todo caso, só queria mesmo deixar claro que tudo vai continuar igual. A violência, a desigualdade, a corrupção e tudo que de pior existe. Até porque você não é capaz de mudar o mundo. Mas como diz aquela velha conversa já tão batida: na impossibilidade de mudar o mundo, mude-se. Visite aquele amigo que já não vê a tempos, compre o cd daquela banda que você tanto curtia, deixe de lado essas coisas de trabalho e estudos e passe uma tarde sem fazer nada... Sei lá, é isso que espero desse ano, passar mais tempo com as pessoas de que gosto. Já me privei tanto de bons momentos em nome de um futuro que nunca chega. O futuro não existe e o passado não importa, aproveite o ‘’presente’’ que se chama hoje. Estes são meus sinceros votos de feliz novo ano, porque de ano novo eu já estou cheio...