sábado, 13 de novembro de 2010

Na terra quente



Essa semana dei uma passadinha na casa da minha avó num raro momento em que eu estava atarefado em níveis inferiores a 80%. Enquanto conversava com minhas tias e resolvia umas questões sobre Estabilidade (ei, você acha que é só você que pode se mostrar postando aquelas fotos que tirou na Disney? Cada um tenta passar o que vê de melhor em si mesmo. Se você tem orgulho do Mickey eu posso me orgulhar do que eu quiser, inclusive de estudar, ora!) o pessoal resolveu ir comer pastel numa lanchonete que tem lá pertinho. Essa lanchonete cujo nome não vou citar por princípios éticos (que nada, é por não estar recebendo nada pra isso) fica exatamente em frente à casa de um cara que já foi um dos meus melhores amigos, mas que hoje mal nos falamos. Como minha tia é amiga dele, quando chegamos lá ele se juntou ao pessoal da minha família e fomos lá lanchar.

Em minha homenagem, minha tia pediu um pastel satânico pra ela (rsrsrsrs). Calma, eu explico. Nem eu nem meus pais comemos carne de porco aí o pessoal da minha família “tira onda” dizendo que porco e tudo que tem porco é uma COMIDA SATÂNICA (o povo da minha família é cheio dessas cachorradas, quem os conhece entende porque sou do jeito que sou)! Portando, o pastel satânico era um simples pastel com frango e bacon, ta? Não precisa tapar os olhos de ninguém. Só pra citar mesmo o meu foi de frango, mas vou parar de falar em comida antes que alguém me chame de gordo e além do mais vai ficar parecendo o programa da Ana Maria Braga.

Enfim, voltando ao que estava tentando falar, enquanto comíamos pastel fui notando o quanto aquela rua estava mudada, já havia morado ali perto há uns... Sei lá, talvez 6, 7 anos, não sou bom com datas. Realmente a diferença era considerável, tanto no lugar quanto nas pessoas. Eu e meu, agora colega, quase não trocávamos as primeiras palavras que tinham, obrigatoriamente, que ser sobre outro amigo (cara que até hoje considero muito), o que completava o trio que por cerca de três anos era inseparável. Fiquei um pouco triste pela forma fria que ele falou do nosso amigo, triste por constatar que por mais importante que uma pessoa porra ser para outra, pode ser que um dia ela venha a significar nada.

Enquanto conversávamos via algumas pessoas conhecidas passando ali. Constatando que nem tudo que parece é, mas, esse “nem tudo” significa que uma fração reduzida que poderia ser aproximada matematicamente, sem prejuízos, para 11%, deixando o enunciado com o seguinte corpo: 11% do que parece na verdade não é, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, quando a amostra estudada tiver mais que 38 elementos. É, agora ficou melhor. Continuando, pude observar que os 89% do que parecia, de fato era, ou servia de indício do que se tornaria. O carinha de família rica virou o “playboy” que não faz nada da vida, a velha fofoqueira da rua mudou-se por causa de briga com os vizinhos, a menina bonitinha que só ficava com meninos ricos casou-se com um coroa cheio da grana. O menininho delicado tomou jeito de homem e virou pegador, podendo ser incluso nos 11% que parecia mas não era!

Aí fomos lembrando-se do tempo em que, muito diferente do que ocorre hoje, não tínhamos nada para fazer a não ser sair por ai fazendo cachorrada, rebolando pedra na casa dos vizinhos, tocando campainha e correndo... Ah, bons tempos! Está certo que eu joguei muito Nintendo nas locadoras (no tempo em que uma hora custava 50 centavos) e ainda continuo jogando Play II, mas acho que em geral as crianças de hoje raramente sabem como era num passado não tão distante a arte de ser criança.

Imagino-me agora contando para meus netos o que eu fazia nos meus tempos de criança...

- Existia um brinquedo de madeira que a gente colocava pra rodar com uma cordinha.

- É parecido com o ipod, vovô? É feito de borracha ou plástico?

- Não, é simplesmente de madeira mesmo, com uma ponta de ferro.

- Ah, já vi, é um que emite uma projeção de um dragão enquanto gira, né?

- Não, ele apenas gira mesmo.

- Mas ele tem uma entrada USB ou dá acesso às redes sociais?

- Não, meu querido, era só pra vê-lo girando...

Momento de reflexão...

Sei lá, acho que peguei pesado, Vídeo Game e essas tecnologias podem ser benéficas se a pessoa souber apreciar com moderação (eu particularmente não sei), mas é que nunca mais vi ninguém jogando mirim, brincando de polícia e ladrão, cai no poço (safadinho), esconde-esconde, queimada, amarelinha e essas coisas... Ao invés disso passam o dia vendo coisas sobre seus ídolos adolescentes idiotas, navegando na internet e postando besteira no twitter...

Pobres crianças de hoje, nunca provaram o prazer de brincar de “tica”, de levar uma carreira de um cachorro, dar milho pra uma galinha. Nunca ouviram a mãe gritar: Menino, saia dessa terra quente!

Pobres crianças do futuro, PlayStation e Nintendo Wii serão coisas do passado, bichos só serão vistos nos zoológicos digitais, seus amigos serão netos evoluídos dos tamaguchis que conhecemos, vão nos chamar de pré-históricos por nos contentar com jogos em 2D, mas também vão nos idolatrar por termos sobrevivido a esses “tempos difíceis”. Definitivamente o futuro não é mais como era antigamente...

Terminamos de comer os pastéis, pagamos e fomos para casa...

Nenhum comentário:

Postar um comentário