sábado, 22 de janeiro de 2011

Chuuuuuuuuuuuuuuuva


Essas garotas do tempo são sempre tão bonitas e tão inteligentes.
Elas sabem como dar as notícias da maneira correta. Se for chover muito ela sabe como deixar feliz até quem planejava pegar uma praia. Se você estiver morrendo de calor, ela te deixará contente mesmo depois de informar que na sua cidade a máxima será de 37° e a mínima de 35°.
Ah, mulheres do tempo. Como elas conseguem? São verdadeiras feiticeiras contemporâneas...

Imagine-se casado com uma mulher do tempo:

“Hoje teremos arroz, feijão e bife no almoço, amor”
“Já para o jantar, provavelmente teremos sopa de carne na casa da mamãe”

Puxa, eu pude a ouvir falando isso com aquela voz macia. Puxa, “sério mesmo”, a imaginei indicando os alimentos naquele painel.


Sei lá, nunca tive uma boa relação com chuva, sempre sentia uma tristeza ao primeiro sinal de que iria chover. Já ouvi que essa tristeza era comum em adultos, provavelmente nascida de traumas infantis, sendo o caso mais comum a privação de brincar na rua que a chuva proporcionava. Acho que não é bem meu caso. Chuva aqui em Mossoró sempre foi sinônimo de banho de chuva, procurávamos as maiores quedas de água... Como a casa da minha avó é perto do centro (alguns consideram centro), nos aproveitávamos das biqueiras dos grandes armazéns pra tomar banho, alguns chegavam até a doer nas costas e na cabeça.

É, no caso tradicional eu não me enquadro. Mas eu conheço meu caso, ou pelo menos penso que conheço. Das poucas lembranças do tempo que morava em Salvador era da pequena casa em que morava que inteligentemente, pra não usar palavreado baixo (não que não use ou me incomode usar, é que respeito muito minhas memórias, não vou misturá-las com coisas ruins), possuía uma abertura na parede para ventilação que, de fato, molhava a casa quando chovia...

1x0 (Um a Zero) para a chuva.

Lembro também (claro, quem bate esquece, mas quem apanha...) que a pouco tempo, mais exatamente de 2006 até 2009, dava aula de reforço... euahuehuahuheu Lembro com uma certa saudade. “Bons tempos...” E ao mesmo tempo penso: “Tempos horríveis”. Momentos bons e momentos ruins, como quase tudo nessa vida, não é? OK, o que tem de relação entre as aulas e a chuva? Bom, eu só tinha uma bicicleta e não gostava de me atrasar... Se chovesse, azar o meu... Tomava aquele belo banho à força, com aquela tradicional enlameada nas costas que o pneu traseiro insistia em jogar.

2x0 (Dois a Zero) para a chuva.

As vezes eu me conformava que ia me molhar, já ia logo passando pelas possas, sabe?
“Está no inferno? Abraça o capeta!”

Sei lá... Hoje tenho carteira de habilitação. Ir de um lugar para outro se tornou mais fácil, mais prático, mais rápido, mais monótono, menos divertido. Sinto falta da minha bicicleta, passamos por muita coisa juntos, algumas boas, algumas ruins... (já falei isso).

(Depois prometo escrever sobre minhas bicicletas uahuehauheuahuehuaehu.)

Eu não sei por que sinto isso quando chove, mas eu sinto, assim como sinto vontade de chorar se ouvir aquela canção:

“Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria...
Como poderei viver
Sem a tua companhia”

Por favor, espero que ainda me levem a sério depois disso e espero que saibam respeitar meus sentimentos e não fiquem cantando quando me encontrarem por aí. Tenho meus medos, como todo mundo, uns fazem sentido, outros não.

Sei lá, meu sentimento deveria ter passado já que não tomo mais banho de chuva se não quiser. Eu reluto, mas a vida está me ensinando de todas as formas que nem tudo requer explicação e que não há explicação para tudo. Eu sou muito racional, mas o racional se torna inútil se ignorarmos nossa intuição (ou não), assim como as pessoas muito passionais geralmente são as que mais sofrem.

Seria muito legal se eu encerrasse esse texto pedindo licença para ir tomar um banho de chuva, realmente um “Gran Finale”, mas não está chovendo. Eu prometo que tomo na próxima, quem sabe com uma mulher do tempo.

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