domingo, 23 de janeiro de 2011

Campo grande



“a viagem de ida demora muito, você está cheio de expectativas a respeito do que vai encontrar e a saudade de casa é quase nula”

No terceiro final de semana de 2011 fui passar uns dias na cada de Erico, amigo que conheci no CEFET que hoje é IF (talvez nunca vá me acostumar). Por sorte, ele mora em Campo Grande, cidadezinha pequena (não que Mossoró não seja) com muitos traços rurais.

“Lá era gostoso fazer nada.”

Erico e eu pensamos de forma muito parecida (e maluca), sempre que eu ria de algo ele sabia por que eu estava rindo, mesmo que a explicação tivesse a ver com o livro “Fundamentos da física” ou com uma música dos Beatles. Se fosse só pelas conversas longas e sem muito nexo já teria sido ótimo, mas ainda aconteceram outras coisas.

Primeiro um circo cuja entrada me custou R$ 2,00. Aí eu te pergunto: tem como um espetáculo de R$ 2,00 prestar? Pô, eu sei que o preço das coisas nem sempre reflete seu valor (muitas vezes confundimos por que geralmente valor e preço apresentam relação de proporção), existem coisas baratas que são melhores que coisas caras não só por serem mais baratas lol. Mas, seguindo a lógica, o circo foi muito fraquinho, mas eu estava ali para ver qualquer coisa. Os palhaços conseguiam ser do nível de Renato Aragão em grau de previsibilidade e empolgação (empolgação tende a zero quando a previsibilidade tende ao infinito) sendo que no circo não havia extintor de incêndio. Para ser justo, tenho que confessar que ri horrores em um momento:

O palhaço propôs um desafio a alguns meninos, ele dizia as partes do corpo e os meninos tinham que tocar rapidamente:
- Nariz.
- Olho.
- Barriga...

Até aí tudo bem... Alguns meninos foram eliminados, restando apenas dois que vieram a formar uma espécie de final mundial que unificaria o título de criança tocadora de partes do corpo (¬¬’). Só que desta vez, ao invés de tocar nas próprias partes do corpo, eles teriam que tocar na parte mencionada no outro garoto:
- Cabeça.
- Nariz.
- Boca.
- Barriga...

Até que o palhaço solta uma palavrinha que eu estou tentando falar de uma forma polida, meiga, mas não sei se eu vou conseguir. Bom, vou usar o termo “órgão reprodutor masculino”, tá? Acho que soa melhor que os nomes mais comuns e não sei se seria muito legal para um universitário falar pipiu... Enfim... Foi quando o palhaço tava enrolando e falou:
- Nariz.
- Barriga.
- Órgão reprodutor masculino!

Os coitados dos meninos ficaram se olhando por uns 3 segundos. Eu sei que foi doloroso, deve ter demorado muito pra esse tempo passar, aposto que eles viram suas vidas passando diante dos seus olhos (se considerar que os pirralhos deviam ter de 8 pra 10 anos, nesses três segundos deu pra ver o “filme da vida” umas três vezes com direito a dar uma paradinha naquele dia em que viram mulheres de calcinha numa revista). Cara, eu juro que eu vi em câmera lenta, um moleque começou a mover o braço... Moveu... Moveu...

Quando esse menino pega lá nas partes do outro quase o circo vai abaixo, foi muito mais emocionante que um gol de copa do mundo (ainda mais se você considerar que ultimamente o Brasil... Dunga e Felipe Melo, nunca vou perdoá-los). Foi aquela explosão, pense, todo mundo gritou, vibrou. O palhaço até tentou comentar alguma coisa, mas, a cena não precisava de título, nota de rodapé nem legenda. O menino foi ovacionado.

Engraçado que o contato durou cerca de alguns micro ou milissegundos, só o tempo do pobre do menino ter percebido o que tinha feito. Talvez aquele fato marque sua vida para sempre. Imagine ser conhecido na cidade como “pega-pinto”.

Voltando ao mundo real, a comida era ótima, a mãe dele cozinha muito bem (abraço, Dona Marineide lol) e além disso, contava positivamente o fato de eu sentir que tudo era fresco.
Sei lá, senti que a qualidade de vida é maior quanto mais se distancia do mundo urbano. Podíamos ir a qualquer lugar a qualquer hora. Sinto falta de sair à noite sem ter que ficar olhando para trás, com medo. Ele me falou:

“vez por outra tem umas mortes por aqui, mas é sempre por que o cara já tinha matado um da outra família...”

Pô, se considerar que hoje as pessoas estão matando sem motivo, só pelo prazer de fazer o mal, estes assassinatos quase se tornam uma coisa positiva... Puxa, onde vamos parar...

Mais dias tocando violão, conversando pela madrugada, chegou a hora de voltar pra casa, tudo acaba e eu odeio despedidas...

“a viagem de volta demora quase nada, você já sabe o que vai encontrar, a mente se distrai com o que acabou de conhecer e isso vence a saudade que certamente logo vai passar”

2 comentários:

  1. Poxa, foi mto foda,
    quando esse om tem que voltar mais vezes!!
    pena que o circo foi embora...

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  2. Ai, eu adoro CG mas, infelizmente, faz tempo que eu não vou la ='[
    kkkkkkk... e essa história desse menino?!
    uahuahuahauhauha
    Existe isso não!
    Otimo post! vlw

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