sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ah, agora tudo faz sentido

(ps: hoje eu to meio puto, meio grosso, faz tempo que não escrevo... Sinto uma mistura de PRESSA com uma vontade desgraçada de estapear as faces de alguém.)

Sabe quando chega o final do filme e você entende aquele fato que ocorreu logo no meio da segunda cena? Sabe sim! Pelo menos deve saber. Ou você é como a minha mãe, que não presta atenção no filme e se levanta a cada 5 minutos? Eu me refiro àquela piscada do mocinho, àquela gargalha do vilão, àquela frase solta da donzela... Tanto faz, falo de qualquer coisa que antes você não podia entender, uma deixa... Isso porque o autor não lhe havia dado subsídios para isso, mas, com a ocorrência de novos fatos você vê que havia uma explicação, não necessariamente plausível, tautológica ou cientificamente embasada, mas é uma explicação... Isso não ocorre só em filmes... (lembre-se disso).

 Pode ser um amigo que passa perto de uma moça e arregala os olhos; (E depois te fala que ele já ficou com ela);
Pode ser um amigo que passa perto de uma mulher e a cumprimenta cordialmente (E depois te fala que é nela que ele está interessado);
Pode ser um amigo que vem e te dá um soco do nada... (E você entende que ele falou sério quando disse que era ciumento e que a namorada dele era a mais bonita da turma).

Nem sei por que falei isso, não quero descontrair... O clima é tenso, o que vou falar é sério... Se pudesse escolher uma música de fundo seria aquela da abertura do programa Linha Direta (eu assistia e quase não dormia direito) ou aquela música do filme Tubarão. Eu descobri como funciona nossa sociedade. E é mais ou menos assim:

Nós não vivemos. Somos apenas um recurso produtivo, a mão de obra. Só isso. Qualquer coisa além disso é mentira, fraude, engano e fantasia. Assim como máquinas, prédios, processos, somos apenas um recurso que transforma matérias primas em produtos finais. Mas esse nós não engloba todas as pessoa, viu? Que fique claro. Serve apenas a grande, gigantesca e esmagada maioria (isso mesmo, esmagadora não, esmagada). Existem uns poucos que tem direito à vida. Uns bastardos abastados dos quais somos meros serviçais. Eles sim tem o que se chama de vida, nós não. Temos uma perspectiva média de 75 anos de expediente, vida não. Mas o que nos falta? Essa é a deixa...

Você tem cama, mas não dorme.
Você tem comida, mas não come.
Você tem TV, mas não assite.
Você tem violão, mas não toca.
Você tem sede, mas não bebe.
Você tem vida, mas... ?
 [...]

 Não sei se na tão falada Constituição Federal de 88 ou se na Consolidação das Leis do trabalho (ou em qualquer outro papel que serve pra forrar fundo de gaiola), dizem que o salário do trabalhador deve ser tal que seja suficiente para atender as necessidades de moradia, alimentação, saúde, lazer e educação (o salário é uma droga, no mau sentido, mas não estou afim de discutir isso agora)... O que essas leis mortas, impraticadas, embora praticáveis, esqueceram, foi do fato de que tão importante quanto a remuneração pecuniária é a jornada de trabalho. Deveriam prever tempo suficiente para o lazer, saúde, educação, alimentação, além do tempo do trabalho.

 Eles te pagam, na verdade, pelo seu tempo. Macacos bem treinados ou com uma placa de hardware compatível com Linux instalada no cérebro podem muito bem te substituir no seu posto de trabalho, mas a classe dominante não quer. Apenas fazer as coisas que eles fazem, poder o que eles podem não é suficiente. A graça está na exclusividade. Como diz a música: eles querem que você se sinta mal, pois assim eles se sentem bem. Só é prazeroso na medida em que se tem um parâmetro inferior com o qual comparar, se todos tivessem uma ferrari teria graça?

É assim que a coisa funciona. Mas nem por isso eu vou largar tudo, deixar o cabelo crescer, fazer umas tranças, umas tatuagens de um líder revolucionário sul-americano de cuja história eu nada sei ou dos ursinhos carinhosos, é tudo a mesma porcaria...

Não vou sair correndo nu e ir morar na selva... Até isso eles planejaram, não passa de uma forma enganosa de mostrar que podemos não nos submeter aos moldes dessa sociedade. Mentira, é apenas mais um molde. Só vou pensar melhor antes de vender a coisa mais cara e rara desse mundo: o tempo...

Ah, recomendo que faça o mesmo.

E ah, agora tudo faz sentido...