segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vagalume.


Bom, como nem todos os dias tenho o prazer de queimar neurônios fazendo um texto, decidi postar pelo menos algo que eu acho que vale a pena ser lido.
Há alguns mêses, enquanto fugi do aula do cursinho, fui à biblioteca municipal e acabei lendo um livro que continha o texto abaixo. Ele me tocou pois vem tocar em um assunto que pelo menos pra mim é muito importante: sentimentos. Lamento não saber o nome do autor, infelizmente não encontrei mas, se alguem souber serei grato.
Espero que gostem


Foste brilhar longe,
Longe, te perdeste:
Rasgaste as asas no espinho,
Sem luz, sem azas morreste.
— Que vale a vida? — um perfume...
Um ai! a vida resume,
Vagalume, vagalume.

Se brilhasses perto,
Perto, viverias:
Ao pé da gruta e das fontes.
Da rosa e das melodias!
— Lume da noite! Áureo lume,
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, Vagalume.

Aqui tens as asas ligadas,
Sem mais fogo e sem mais cor !
São duas folhas rasgadas,
Duas lágrimas de amor...
— Que vale a vida? — um perfume...
Um ai! a vida resume,
Vagalume, vagalume.

Veio a noite: abriste o vôo,
Da noite na solidão:
Pobre centelha d'um dia,
Cegou-te a luz da paixão.
— Lume da noite! Áureo lume,
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, vagalume.

Toda a noite, a noite toda,
E mais um dia também,
Disse a brisa: — ele não volta —
Disse a planta: — ele não vem!
— Que vale a vida? Um perfume,
Um ai! a vida resume,
Vagalume, vagalume.

A noite estava tão fria,
Tão frio e triste o luar!
A viração mal servia,
As quietas vagas do mar!
— Lume da noite! Áureo lume.
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, vagalume.

Onde foste meu mensageiro,
Seu farolzinho apagar?
Meiga pérola da noite,
Onde te foste quebrar?
— Que vale a vida? um perfume,
Um ai ! a vida resume
Vagalume, vagalume.

E tu partiste... E morreste !
Luz alada, alada flor!
Prendeu-le as asas a morte,
A morte, a morte de amor!
— Lume da noite! Áureo lume,
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, vagalume.

Hoje tudo está deserto,
Silêncio, calmo e sem luz.
Vai crescendo a paralisia,
Uiva o cão ao pé da cruz,
— Que vale a vida? Um perfume,
Um ai! A vida resume,
Vagalume, vagalume.



Grilo canta nas cinzas,
Vento abala a vidraça,
Passa vento, passa a noite,
Passa dia, e a vida passa!
— Lume da noite! Áureo lume.
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, vagalume.

Que foste fazer tão longe,
Tão longe, longe de nós,
Exposto a noite e aos furores.
Da ventania veloz?
— Que vale a vida? Um perfume,
Um ai! a vida resume,
Vagalume, vagalume.

Volta, oh! Volta tudo é escuridão!
Tudo, tudo já morreu.
Nem há mais cantos na terra,
Nem mais estrelas no céu,
— Lume da noite ! Áureo lume.
Bebeste o fel no perfume,
Vagalume, vagalume.


Cai o ninho, os frutos secam,
O rio carrega a flor,
E nós! Morremos chorando,
Nosso primeiro amor!
— Que vale a vida? Um perfume,
Um ai! A vida resume,
Vagalume, vagalume.

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